Diversidade cultural e humana - Rumspringa
Diversidade cultural e humana - Rumspringa
Como já demonstrei no trabalho anterior sobre a hereditariedade e o meio, os fatores genéticos e hereditários têm um importante papel na pessoa que somos, por exemplo, na cor dos nossos olhos, na maior ou menor propensão para contrairmos uma certa doença, etc.
Mas vimos também que o meio apresenta um papel relevante na nossa formação e no nosso comportamento.
Facilmente podemos associar esta noção de meio em que estamos inseridos com a noção de cultura. A cultura, em sentido abrangente, reflete o conjunto de tradições, atitudes, hábitos, língua, religião, crenças, conhecimentos, valores, etc., que são transmitidos, através da socialização, pelas gerações mais velhas às mais novas. Esta permite-nos existir e interagir com aqueles que também a partilham, e transmite-nos a sensação de pertença a um certo grupo/povo.
Logo, não é errado afirmar que o meio é influenciado pela cultura em que está inserido, uma vez que aqueles que fazem parte do meio em que estamos integrados seguem certos padrões e hábitos dessa mesma cultura.
A existência de uma pluralidade de culturas leva-nos a falar em padrões culturais, que se referem aos modelos específicos seguidos por um grupo de pessoas. Incluem a forma de pensar, sentir e as regras sobre o que é aceitável e expectável no seio dessa mesma cultura.
De forma a aprofundar esta ideia da diversidade cultural, realizámos em aula diversos trabalhos sobre práticas culturais que, para a nossa cultura, são inaceitáveis e até reprováveis, mas que na cultura em que são praticadas, são perfeitamente normais.
A mim calhou-me o Rumspringa, uma prática dos Amish. Os membros desta seita cristã adotam um estilo de vida marcado: pela simplicidade, no vestuário, alimentação e transporte, por exemplo; por um isolamento quase total da sociedade em geral, vivendo em pequenas cidades construídas pelos crentes; por uma aversão às tecnologias e tudo o que é moderno; e pelo conservadorismo.

Rumspringa pode ser mais ou menos traduzido para "andar por aí". Os adolescentes Amish, aos 16 anos, têm a oportunidade de explorar o mundo exterior. Neste período, que por norma não dura mais do que 2 anos, os jovens experimentam praticamente tudo aquilo que lhes foi privado, desde eventos desportivos, a roupas comuns, maquilhagem e o álcool.
Os ansiãos desta seita acreditam que esta prática permite aos adolescentes adquirirem conhecimentos do mundo exterior, conhecerem novas pessoas, e eventualmente namorarem. Contudo, no fim deste ritual de passagem para a idade adulta, os jovens têm de escolher se querem ser batizados na Igreja Amish, sendo obrigados a obedecer às regras da mesma, ou se pretendem abandonar a comunidade.
A maioria dos jovens (c. 80%) escolhem permanecer na comunidade, porque se sentem sobrecarregados com os problemas do mundo exterior, optando pela simplicidade da comunidade Amish. Os restantes, segundo os Amish, acabam por se "perder nos prazeres mundanos", como o álcool, as drogas, etc.
Esta prática, aos olhos da nossa cultura, é um tanto invulgar e até peculiar. Contudo, para os Amish, é um ritual bastante comum em quase todas as suas comunidades.
A diversidade cultural permite-nos perceber até que ponto uma parte daquilo que somos é absolutamente inseparável do mundo em que crescemos, e por isso, muitas das formas de pensar e agir que consideramos características de nós próprios, são, na verdade, o reflexo da cultura em que estamos inseridos.
Com este trabalho, pretendo demonstrar que existe uma enorme diversidade de culturas, com as suas práticas, crenças e valores, que têm um papel muito importante na formação de cada uma das pessoas que integra essa cultura. Além disso, tenciono dar a conhecer uma das muitas práticas culturais que existem neste mundo, e que contribui para a riqueza da diversidade cultural e humana.
19/11/2024

